Eu devia ter uns 12 anos. Um vizinho, que também gostava de quadrinhos e que não tinha pais que vigiassem de perto o que ele lia, me apresentou a revista MAD. Pode parecer pouco, mas esse foi o meu primeiro grande ato de transgressão da adolescência que só seria superado por minha verdadeira adoração pela Chiclete com Banana e Piratas do Tietê e uma paixão – que continuaria por mais de 30 – por seus idealizadores: Angeli e Laerte.

Angeli

Pra mim, Angeli é uma visão, uma entidade da HQ nacional: ele sempre esteve na cena e sempre vai estar. Assim como seus companheiros de Chiclete com Banana (a revista, não o grupo), ele é uma espécie de herdeiro bastardo dos cartunistas d’O Pasquim: enquanto os seus antecessores criavam suas histórias no Rio de Janeiro, o cartunista calcou as suas em uma realidade bem paulistana, com generosas pitadas de sexo, drogas e Rock and Roll.

Para conhecer mais: A Quadrinhos na Cia (selo de HQs da Cia das Letras) republicou em formato especial Toda Rê Bordosa e Todo Bob Cuspe. Também é possível ver muita coisa no hotsite do cartunista publicado no site da Folha de São Paulo, jornal para o qual trabalhou 40 anos. Tente encontrar em sebos alguma revista Chiclete com Banana.

Laerte

Artista da mesma geração de Angeli, Laerte criou as personagens mais comicamente profundas da produção nacional, que, assim como ela, foram se modificando conforme sua trajetória indo do humor quase escrachado ao lirismo filosófico.

Para conhecer mais: A série Muchacha, publicada na Folha de São Paulo, foi reunida pela Quadrinhos na Cia. Já a editora LP&M está publicando a icônica Piratas do Tietê. Se andar pelos sebos da vida, tente encontrar Los Três Amigos, que era escrita e desenhada por Laerte, Angeli e Glauco.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *