Se tivesse tido a oportunidade de entrar no painel de O Hobbit na CCXP em que Richard Armitage esteve aqui, teria perguntado a ele como é dar vida a uma personagem que possivelmente está no imaginário de tanta gente, de tantas formas diferentes, há pelo menos cinquenta anos? Além disso: qual o processo de personificação dessa, uma vez que a obra não aprofunda muito em sua psique?

Definitivamente não sou atriz, mas, de vez em quando, me pego pensando esse tipo de questão. Se para uma personagem de ficção conhecida do público-alvo a coisa já parece difícil, imagine recriar a vida de alguém que, um dia, foi de carne e osso?

Toda história contada é um recorte. Quando vemos nossos livros favoritos adaptados para o cinema, não paramos para pensar que ele não trará toda a complexidade de Anna Kariênina, por exemplo, apenas o recorte que dialoga com o maior público pagante possível – que nesse caso especifico foi a história de amor entre a personagem-título e o conde Vronsky. Com as cinebiografias não é diferente: elas trarão o recorte que os produtores acharem que agradará mais ao público-espectador da película.

Um exemplo? Amor e Inocência, filme que tenta contar a história da formação da escritora inglesa Jane Austen. Em sua biografia, escrita por um de seus sobrinhos, existe apenas uma menção ao Sr. Lefroy. Essa foi suficiente não apenas para os roteiristas tonarem-no o grande amor da autora, mas também em dar-lhe as características de sua personagem mais famosa, Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito.

Esta lista de cinebiografias traz autores, músicos, cientistas, políticos e artistas plásticos que, de alguma forma, mudaram o mundo no seu tempo e a sua maneira.

05. The Doors

Mesmo sendo infeliz e sarcástica, a declaração de Jack Nicholson sobre o suicídio de Heath Ledger – “eu avisei” – pode nos dar a dimensão do que é viver uma personagem complexa e intensa.

Muitos são os boatos giram em torno do filme The Doors, de Oliver Stone, centrado na figura do vocalista da banda americana Jim Morrison. Um desses é que após o longa, Val Kilmer, ator que deu vida ao músico-poeta, teria afirmado ser a reencarnação do cantor. “Jim está comigo”.

Verdade ou não, é inegável que Kilmer foi o grande mérito do longa de 1991.

04. Uma Mente Brilhante

Atribuir doenças psiquiátricas a gênios parece ser um recorte comum utilizado no cinema. É como vender que para se estar fora do eixo da mediocridade é necessário ser maluco. Possivelmente, se não fosse pelo filme Uma Mente Brilhante o matemático John Forbes Nash, criador da Teoria dos Jogos e ganhador do prêmio Nobel, não seria conhecido pelo grande público. O recorte? A luta de Nash contra a esquizofrenia.

 

03. Shakespeare Apaixonado

Quando o assunto é William Shakespeare muitas são as dúvidas. Entre elas a de que o Bardo nunca tenha existido. Dúvidas à parte, é clara a contribuição literária dos textos atribuídos a essa figura, tão emblemática para os ingleses. Da mesma forma que aconteceu com Jane Austen no longa Amor e Inocência utilizaram e modificaram uma de suas histórias, Romeu e Julieta, para ficcionar sua biografia. Diálogos como “Ouves? É o rouxinol, não a cotovia” estão, explicitamente, no roteiro de Marc Norman e Tom Stoppard. A diferença entre Shakespeare Apaixonado e a cinebiografia de Austen é que, em nenhum momento, ela leva-se a sério.

02. Frida

O mérito do longa Frida, além das convincentes atuações de Salma Hayek e Alfred Molina, vai além do texto, da direção e das polêmicas: a força está na própria vida da protagonista que já tinha marcado a minha vida através de seu diário e que só fez com que eu reforçasse a tese de que infidelidade é diferente de lealdade, e que ser leal é amar verdadeiramente.

01. Chaplin

Sou uma grande fã do ator Robert Downey Jr muito antes dele virar o Tony Stark. Toda essa admiração vem de sua interpretação em Chaplin de 1992.

Se for assistir ao longa, preste atenção na linda cena em que Geraldine Chaplin – atriz que vive a mãe do protagonista e que é filha do biografado – abraça Downey Jr já caracterizado de Carlitos: ela não está abraçando o ator e sim seu pai.

Uma pena que, naquele ano, Robert Downey Jr concorreu ao Oscar com Al Pacino, indicado e ganhador por Perfume de Mulher…

01. Amadeus

Se todas as cinebiografias anteriores tinham a intenção – ou pelo menos queriam parecer – de retratarem a vida de seu retratado o mais fielmente possível, Amadeus, baseada na peça teatral de Peter Shaffer, traz a vida de Wolfgang Amadeus Mozart pela lente de uma lenda: a morte pela inveja de outro compositor, o italiano Antônio Salieri.

Antes de uma biografia, Amadeus é um filme sobre fé e como essa pode transformar a vida de um homem de uma forma muito diferente da que estamos acostumados. Atenção para a trilha sonora, toda baseada em composições de Mozart, que é, sem nenhuma dúvida, a terceira personagem principal da trama.

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