A Pequena Amélie | Crítica

Filmes

Publicado originalmente em Portal Refil

No princípio era o Verbo, e o Verbo era… Amélie! Pelo menos foi nisso que a protagonista do longa de animação “A Pequena Amélie” acreditou nos seus primeiros três anos de vida.

Filmes românticos

Nascida no Japão e filha de belgas, Amélie narra como permaneceu em estado vegetativo até os dois anos e meio, quando um terremoto a arrancou do torpor e da contemplação inabalável para as dores e os sentimentos do mundo. A revolta com a nova condição só foi aplacada ao degustar um chocolate branco, dado pela avó, quando a criança-deus descobre o prazer; já a fala veio primeiro com sons que os meros mortais à sua volta não conseguiam entender, evoluindo para a necessidade desses mesmos mortais a ouvirem nomeá-los: “mamãe”, “papai”, “aspirador de pó”…

Entre a amizade com a governanta da família e as rusgas com o irmão mais velho, Amélie entende sua condição demasiadamente humana, em um retrato sincero(e, às vezes, doloroso) da primeira infância, a partir das experiências sensoriais, do pertencimento e do afeto.

Todo realizado em 2D, com traços simples que abusam dos tons pastéis e da predominância da cor verde, o longa dirigido por Maïlys Vallade e Liane-Cho Han é baseado em Métaphysique des tubes, da autora belga Amélie Nothomb, que se vale do termo japonês “okosama” (utilizado para referir-se a crianças em um contexto mais formal, podendo ser traduzido como “honrada criança” ou “criança-senhor”) para escrever uma espécie de romance autobiográfico que condensa os seus três primeiros anos de vida no Japão.

“A Pequena Amélie” chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira (12 de março), trazendo na bagagem sua estreia mundial na seção Sessões Especiais do Festival de Cannes de 2025 e a indicação ao Oscar de Melhor Animação deste ano.

A Pequena Amélie (2025 ‧ Animação ‧ 1h 18m) dirigido por Maïlys Vallade, Liane-Cho Han
Estreia em 12 de março de 2026

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